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Venda de etanol explode e leva açúcar às alturas


 

Numa demonstração de força que surpreendeu o mercado, a demanda por etanol hidratado, que é usado diretamente no tanque dos veículos, explodiu em outubro, apesar do aumento dos preços ao consumidor final nos postos. Com isso, as cotações futuras do açúcar reagiram e subiram expressivos 5%. Conforme dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), as usinas do Centro-Sul venderam às distribuidoras no mercado interno 1,7 bilhão de litros de hidratado no mês que passou, 37% acima do registrado em outubro de 2014 e 121 milhões de litros maior que as vendas realizadas em setembro deste ano.

 

A robustez do etanol levou os contratos do açúcar em Nova York com vencimento em março do ano que vem a 14,71 centavos de dólar por libra-peso, alta de 5% (72 pontos). O hidratado em alta incentiva as usinas brasileiras a destinarem mais caldo da cana para fabricar o biocombustível. Com isso, enxuga-se a oferta de açúcar no país, que é o maior exportador global da commodity, com metade de todo o volume transacionado no mundo.

 

A surpresa com a demanda forte por etanol em outubro se deu porque se esperava um arrefecimento do consumo, dados os reajustes de preços em curso há dois meses nos postos de combustíveis, sobretudo de São Paulo, Estado que é o maior mercado de combustíveis do país. Na usina paulista, o preço do hidratado subiu 43% desde setembro, conforme referência do indicador Cepea/Esalq. No mesmo intervalo, o preço médio do hidratado nos postos de combustíveis do Estado de São Paulo subiu 24%, do patamar de R$ 1,933 por litro para R$ 2,403 o litro, de acordo com dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP) divulgados na segunda-feira.

 

Como a gasolina subiu menos no período – 9,5%, de R$ 3,01 para R$ 3,397 o litro -, o etanol perdeu a vantagem econômica que passa a existir quando seu preço equivale a menos de 70% do preço do concorrente. Em setembro, essa paridade estava em 62%. Na semana encerrada no dia 7 deste mês, essa relação foi a 70,7%.

 

"O aumento [do etanol] registrado na bomba até agora não está sendo suficiente para frear o consumo. Como a gasolina também subiu, talvez o consumidor esteja sob o efeito dessa diferença de cerca de R$ 1 por litro entre o preço de um e de outro combustível. Talvez a lógica vigente seja a de que é melhor abastecer com o que cabe no bolso, ou seja, com o mais barato", avaliou o diretor da trading de etanol Bioagência, Tarcilo Rodrigues.

 

A redução do consumo de hidratado é vista pelo mercado como uma necessidade para equilibrar a oferta do produto com a demanda. Na previsão da Unica, nesta temporada que será encerrada em 31 de março do ano que vem, a 2015/16, a produção desse biocombustível deve alcançar 16,3 bilhões de litros no Centro-Sul, um aumento de 6% frente ao ciclo anterior. Desde abril até 1º de novembro, o volume fabricado foi de 14,7 bilhões de litros e, nesse mesmo intervalo, as usinas da região venderam 11,5 bilhões de litros (mercado interno e exportação).

 

Em setembro, quando a demanda mensal por hidratado já estava acima de 1,5 bilhão de litros, especialistas já calculavam a necessidade de o consumo ser reduzido para 1,2 bilhão de litros mensais para a oferta ser suficiente para atender ao mercado até o fim da safra, em 31 de março do ano que vem.

 

Mas o que ocorreu foi que o consumo subiu em vez de cair, na esteira da resistência do consumidor com o preço da gasolina, em níveis superiores a R$ 3,30 por litro na bomba. "Talvez, a paridade do etanol com o concorrente fóssil, hoje em 70,6%, tenha que ir a níveis de 78% para frear o ímpeto da demanda", avaliou o especialista da FG Agro, Willian Hernandez.

Fonte : Valor